A atriz e cantora, que teve mais de 40 discos gravados e ficou conhecida pela parceria com Luiz Gonzaga que a batizou como a "rainha do xaxado", era de São Vicente Férrer, cidade onde Kleber ocupou o posto de secretário de Cultura e foi morto no último sábado (26).
O filme chegou a ganhar, em maio deste ano, uma matéria na Revista E, do Sesc de São Paulo, que entrevistou o professor a respeito do enquadramento da produção. À época, Kleber enfatizou que não se tratava de uma biografia de Marinês, mas de uma abordagem que mostrava a artista como alguém à frente do seu tempo.
“Uma abordagem sobre o papel precursor de Marinês enquanto mulher pioneira na música nordestina e brasileira, alguém que rompeu preconceitos e abriu caminhos para outras artistas num ambiente até então dominado por homens”, disse à Revista do Sesc.
A matéria foi compartilhada pelo professor na sua última publicação no Instagram. Na postagem Kleber se disse orgulhoso de ver a cidade de São Vicente Férrer ser citada no veículo e comemorou a divulgação do filme.
“A Revista do Sesc de São Paulo publicou uma matéria linda sobre Marinês e finalizou falando de nosso filme que ainda nem foi lançado. Orgulho e felicidade ver o nome da minha terra anônima aparecer e correr mundo”, registrou.
Após o assassinato do educador, que também era membro do Comitê Estadual de Cultura, a Polícia Civil de Pernambuco informou, por meio de nota, que prendeu já na madrugada do domingo (27) um suspeito de 16 anos, que foi autuado pelo crime de homicídio consumado.
O Comitê de Cultura de Pernambuco expressou pesar pelas redes sociais, registrando o trabalho do professor na Zona da Mata e Agreste na mobilização de artistas, coletivos e instituições. Na postagem, o comitê afirmou que Kleber Camelo deixa marcas profundas na cultura e educação como legado.
“Kleber foi muito mais do que um educador: foi um elo entre saberes, afetos e possibilidades. Dedicou-se à formação de jovens, ao fortalecimento da cultura local e à produção audiovisual com sensibilidade, escuta e compromisso”, diz um trecho da publicação do Comitê.