Evangélicos vão sugerir 'rota de fuga' para ministro da Educação

 Incomodadas com a permanência no cargo do ministro da Educação, Milton Ribeiro, após uma avalanche de denúncias de corrupção na pasta, líderes evangélicos prepararam o que chamam de "rota de fuga" para enfrentar a crise. O plano será apresentado ao presidente Jair Bolsonaro e se inspira no caso de Henrique Hargreaves, ministro da Casa Civil no governo Itamar Franco, que se afastou da cadeira para se defender no caso dos anões do Orçamento, nos anos 90, e voltou após ser inocentado.

Como revelou o Estadão, o Ministério da Educação (MEC) abriga um gabinete paralelo, com dois pastores que controlam a agenda de Ribeiro e indicam prefeituras para a liberação de verbas. Dez prefeitos já denunciaram que pastores atuaram na intermediação de recursos ou no acesso direto a Ribeiro. Três deles admitiram que ouviram pedido de propina em troca da liberação de verbas para escolas.

A saída "à la Hargreaves" poderia ser repetida por Milton Ribeiro, pregam evangélicos que querem dar um voto de confiança ao ministro. Para convencer Bolsonaro de que essa solução é boa, setores religiosos pretendem argumentar a partir de um assunto caro ao presidente: a reeleição.

O raciocínio é de que o ministro poderia provar sua inocência fora da Esplanada e, livre das acusações, voltaria ao cargo antes das eleições, dando impulso ao discurso de um governo sem corrupção, uma das bandeiras da campanha do presidente por um novo mandato. Ribeiro poderia reassumir o posto e o governo, receber elogios pelo afastamento, como aconteceu com Hargreaves. Se o chefe do MEC, por sua vez, foi declarado culpado pelo envolvimento no escândalo, Bolsonaro também ganharia elogios, argumenta o grupo, mas por afastar o ministro e manter sua suposta "tolerância zero".

Henrique Hargreaves foi ministro da Casa Civil de Itamar Franco e, em 1993, se afastou do governo para se defender na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões do Orçamento, esquema de fraudes no Orçamento da União. Após provar que não tinha conhecimento do escândalo, reassumiu a pasta.

Na mira de investigações após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Educação está em processo de fritura dentro do governo. Setores do Centrão, da bancada evangélica subiram o tom e querem a demissão de Ribeiro, ainda que temporária, para blindar Bolsonaro em ano eleitoral e também os evangélicos, constrangidos com a possibilidade de um pastor ter pedido um quilo de ouro como propina para liberar verbas. O presidente, no entanto, ainda resiste à demissão do aliado, pastor presbiteriano amigo pessoal da primeira-dama Michelle e do ministro André Mendonça, do STF, e diz que "bota a cara toda no fogo" por Milton Ribeiro.

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Em entrevista nesta semana, o ministro disse que, se houve pedido de propina para a liberação de emendas da pasta, foi sem seu conhecimento. Ele assumiu, no entanto, que manteve reuniões com o pastor Ailton Moura, um dos controladores do gabinete paralelo, mesmo ciente de que o religioso estava sob investigação da Controladoria Geral da União.

 

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