"O brega venceu", diz Priscila Senna antes de estreia no Rock in Rio

"O brega venceu", diz Priscila Senna antes de estreia no Rock in Rio

 

O brega pernambucano vai chegar ao Rock in Rio pela primeira vez neste sábado (12), com a apresentação da cantora Priscila Senna no palco Favela, espaço dedicado à diversidade e à pluralidade das comunidades.

Às vésperas da estreia na Cidade do Rock, a artista conversou com o JC sobre o show, intitulado “No Alto da Minha História”, que vai revisitar diferentes momentos de sua trajetória.

“Vamos levar bailarinos, minha banda, nossos grandes sucessos do brega. Vai ser histórico. O brega venceu”, afirmou Priscila.

O espetáculo foi pensado para apresentar ao público do festival elementos da cultura pernambucana. A apresentação terá balé, trocas de figurino e sucessos do brega, além de referências a clássicos da música brasileira.

Natural de Olinda, Priscila Senna, conhecida como A Musa, chega a quase 20 anos de carreira marcada pela presença em grandes palcos e por momentos simbólicos para o brega pernambucano.

Entre eles está a gravação de um DVD no Marco Zero do Recife, que reuniu mais de 30 mil pessoas. Em 2020, a cantora também se tornou a primeira artista de brega a se apresentar no palco principal do Carnaval do Recife.

“Estou vivendo um momento muito especial da minha carreira e sei que esse será um daqueles dias que vão ficar marcados para sempre na minha história”, afirmou.

“O brega fala de sentimentos reais”

Para Priscila Senna, a expansão do brega pernambucano e a conquista de espaço em grandes eventos estão relacionadas à identificação do público com as histórias contadas nas letras das músicas.

“Não pode faltar a nossa felicidade. A gente canta com o coração e não tem quem não se apaixone pelo nosso brega”.

A cantora afirma que o gênero estabelece uma conexão direta com o cotidiano de quem escuta.

O brega fala de sentimentos reais, de amor, de sofrimento, de superação e de histórias que todo mundo já viveu. É um gênero que nasceu do povo e que cria uma conexão muito forte com as pessoas”, refletiu.

A artista também destacou as barreiras enfrentadas pelo gênero para conquistar espaço em grandes eventos e ressaltou as dificuldades adicionais enfrentadas por mulheres que cantam brega.

“Para uma mulher cantando brega, tudo foi ainda mais difícil. Estou sendo a primeira, mas quero que muitos outros nomes do brega também tenham oportunidade de cantar no Rock in Rio”.

Da periferia de Olinda ao Rock in Rio

A pernambucana afirmou, ainda, que espera que sua trajetória sirva de inspiração para jovens das periferias. Sena relembrou o início da carreira em Águas Compridas, em Olinda, e as dificuldades enfrentadas para seguir na música.

“Quero que cada jovem da periferia que assistir a esse show entenda que também pode sonhar grande. Saí de Águas Compridas, caminhava a pé para chegar ao estúdio e enfrentei muitas dificuldades, mas nunca deixei de acreditar na música”, contou.

Para ela, chegar ao Rock in Rio representa também a ocupação de um espaço historicamente distante da realidade de muitos artistas periféricos.

“Estar nesse palco é mostrar que a periferia tem talento, potência e merece ocupar todos os espaços. Se a minha trajetória fizer alguém acreditar um pouco mais no próprio sonho, tudo já terá valido a pena”, finalizou.

Pernambucanos no festival

O show de Priscila Senna está marcado para às 16h50 deste sábado (12), no Palco Favela do Rock in Rio.

No mesmo dia, outros dois pernambucanos se apresentam no Palco Sunset: o pianista Amaro Freitas, que sobe ao palco às 15h30, ao lado de Criolo e Dino D’Santiago, e João Gomes, que se apresenta às 20h10, acompanhado pela Orquestra Brasileira.

 

 

 

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