Raquel retorna a Brasília em busca de recursos para população afetada pelas chuvas: "Temos milhares de pessoas vivendo em áreas de extremo risco"

Raquel retorna a Brasília em busca de recursos para população afetada pelas chuvas: "Temos milhares de pessoas vivendo em áreas de extremo risco"

 

Sentada em frente às câmeras posicionadas para a gravação da entrevista, Raquel Lyra (PSD) fez uma reivindicação: deixar o microfone lapela à mesa, mas não acoplado à blusa. "Eu acho horrível", disse em tom espirituoso, mas assertivo, aos jornalistas presentes ao gabinete.

A governadora de Pernambuco, pré-candidata à reeleição, recebeu a equipe do Diario de Pernambuco no Palácio do Campo das Princesas, nesta segunda (11), para uma sabatina exclusiva sobre sua gestão. Pela primeira vez afirmou, publicamente, ser favorável à redução da escala de trabalho 6x1, além de falar da disputa presidencial de 2026 e da liberdade que recebeu do PSD para conduzir alianças em Pernambuco.

Em pouco mais de uma hora de conversa, Raquel voltou a elogiar a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez um balanço das entregas do mandato e revelou os novos passos para buscar recursos para atender a população afetada pelas chuvas no estado. E reforçou que sua prioridade é governar, apesar das movimentações estratégicas em torno das próximas eleições. “Eu fui eleita para governar. Eu não fui eleita para fazer campanha”.

A senhora foi a Brasília na última semana para buscar ajuda com as chuvas em Pernambuco e amanhã retorna para continuar esse trabalho. Qual é a prioridade do governo diante das chuvas?

No primeiro momento, a movimentação é salvar gente. E a gente só consegue salvar porque investiu no Corpo de Bombeiros e na Defesa Civil. Já gastamos R$ 19 milhões em dez dias de chuva com recomposição de estrada e ajuda humanitária, e fui pedir R$ 8 bilhões ao Governo Federal para fazer dragagem de rios, aprofundamento de calha, obras de drenagem e habitação. Eu quero zerar a palafita em Pernambuco. Temos milhares de pessoas vivendo em áreas de extremo risco. Um milhão de pessoas moram em área de risco, nos morros, nas encostas e na beira dos rios. Não dá para aprofundar a calha dos rios sem olhar para onde essas pessoas vão morar. Recife é uma das regiões mais suscetíveis à mudança climática no mundo e o que acontece aqui não é acidente, é falta de investimento. Precisamos de investimento forte em infraestrutura, habitação, dragagem e drenagem. O Governo Federal fez compra assistida no Rio Grande do Sul, comprando casas prontas para tirar famílias das áreas de risco, e eu estou pedindo alternativas ousadas para Pernambuco também.

A governadora sempre ressalta sua boa relação com o presidente Lula, mesmo sendo de linhas partidárias diferentes. Essa parceria a surpreendeu?

Eu sempre acreditei na força do diálogo. O presidente Lula é pernambucano e desde o primeiro momento eu disse a ele e ao vice-presidente Alckmin: ‘Não deixem que a política atrapalhe aquilo que nós podemos fazer juntos por Pernambuco’. O presidente nunca me perguntou em quem eu votaria para garantir investimentos ao estado. A gente foi apresentando projetos, destravando obras e construindo soluções junto aos ministros. Entregamos a BR-104, retomamos a Adutora do Agreste, colocamos a Transnordestina e o metrô do Recife como prioridade, retomamos barragens da Mata Sul e fizemos a concessão da Compesa, que vai garantir R$ 20 bilhões para tratamento de esgoto e abastecimento de água.

Atualmente, como está sua relação com o PSD e o projeto presidencial de Ronaldo Caiado?

O PSD hoje é minha casa e eu sou muito grata ao partido e ao presidente (Gilberto) Kassab. Hoje é o maior partido da história de Pernambuco, com nove deputados estaduais e quase 80 prefeitos filiados. Antes de me filiar, conversei muito com Kassab e ele sempre me deu liberdade para conduzir Pernambuco da forma que eu julgasse melhor para o nosso estado. O próprio Caiado sabe disso. Em Pernambuco, nós vamos tomar um caminho apresentado ao nosso estado, sem abrir mão do propósito de cuidar da nossa gente. Todo o projeto é construído em torno de fazer Pernambuco crescer e voltar a gerar oportunidade e esperança.

Dentro do PSD, existem diferentes opiniões à respeito da escala 6x1. Nomes como Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. são explicitamente contrários, enquanto seu aliado Túlio Gadêlha é a favor do projeto. Qual o seu posicionamento neste tema?

Olha, você permitir que uma mãe de família, um pai de família possa estar em casa mais um dia, isso não tem discussão. Permitir dois dias de descanso por semana, que às vezes nem é descanso, é o tempo para poder cuidar de casa, cuidar da família, olhar sua vida, ir para o médico. As pessoas não se cuidam porque estão o tempo inteiro no transporte e no trabalho. O mundo inteiro está discutindo qualidade de vida. Quando se fala no Brasil sobre o fim da jornada 6x1, eu sou a favor de se reduzir a jornada de trabalho. Agora, existem preocupações legítimas ao lado disso, como o impacto no custo das empresas e no preço final dos produtos. Pode vir algum tipo de redução de tributo para aqueles que vão precisar contratar mais gente para cobrir essas vagas. Eu acho muito difícil isso não ser aprovado no Congresso Nacional.

 Quando a senhora começa a discutir oficialmente a chapa de 2026?

Tem gente que acorda e dorme falando de eleição, mas eu sou governadora de Pernambuco e tenho o dever de governar. Se eu estivesse cuidando da eleição, eu não estaria cuidando do povo. A gente encarou temas difíceis como o Hospital da Restauração, a segurança pública, a habitação e as obras de encosta porque não fizemos cálculo eleitoral. O nosso foco é cuidar do nosso estado, e fazer o governo chegar na vida das pessoas. Essa é nossa bandeira. Eu não fui eleita para fazer campanha. Eu fui eleita para governar e para entregar. As convenções serão entre 30 de julho e 5 de agosto e, no momento certo, vamos apresentar a chapa e aquilo que fizemos e pretendemos fazer por Pernambuco.

Na sua base governista, há nomes que são de lados bem opostos: Túlio Gadelha é alinhado ao presidente Lula, enquanto Eduardo da Fonte e Miguel Coelho são de um campo mais conservador. Como a senhora vê a aproximação de nomes de diferentes campos políticos?

Para a gente governar, a gente precisa unir pessoas que pensam diferente sim. É importante que pensem, até para gente refletir de um lado e do outro e tirar delas o que nós podemos ter de melhor. Mas o nosso foco é cuidar do nosso estado, é fazer o governo chegar na vida das pessoas. Essa é nossa bandeira. Eu fui eleita para governar. Nosso compromisso não é eleitoral, é geracional. Não é sobre mim nem sobre eles, é sobre Pernambuco e sobre fazer o governo chegar à vida das pessoas.

Passado o impasse da Lei Orçamentária, como a senhora avalia a relação com a Assembleia Legislativa?

Todos os projetos de lei que mandamos para a Assembleia foram aprovados, mas houve demora para colocar matérias importantes em votação. Pernambuco não tem capacidade de investimento só com recurso próprio e precisa de operação de crédito para fazer o estado crescer. Você demorar sete meses para votar um empréstimo não é razoável para Pernambuco, porque Pernambuco tem pressa. Quem quer atrapalhar segura projeto na Assembleia porque sabe que, quando o dinheiro chega na minha mão, a gente faz acontecer.

Olhando para os anos do seu mandato, o que a senhora faria diferente se pudesse?

Muitas coisas. Por exemplo, falando do programa de creches. Creche deve ser prioridade para desenvolvimento de uma nação. Me comprometi em construir 60 mil vagas, destinei 1 bilhão de reais para isso. Eu disse: "Eu vou conseguir construir tudo sozinha". Eu não vou repassar dinheiro para o município, porque eu acho que eu consigo ganhar em escala e eu lanço as grandes licitações. O tempo me ensinou que, talvez se eu tivesse feito convênios (com os municípios) desde o primeiro momento, eu podia ter entregue mais creches. Eu tive que buscar 250 terrenos, fazer topografia de 250 terrenos, fizemos licitação integrada para poder adaptar o projeto a cada um. Então, não é um negócio simples. Eu não entreguei as creches todas que eu gostaria de ter entregue até o presente momento. Então, a gente vai entregando e aprendendo com os nossos desafios e ajustando para a frente, para as nossas novas obras.

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