A liquidação do Banco Pleno decretada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central ampliará para mais de R$ 50 bilhões o rombo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) considerando a soma dos valores de reembolso dos credores do Master e do Will Bank. O Banco Pleno, que fazia parte do conglomerado, tinha uma base estimada de 160 mil credores elegíveis ao pagamento de reembolsos, que somam R$ 4,9 bilhões.
Segundo o economista e professor universitário Paulo Alencar, as liquidações ligadas ao caso Master devem refletir no aumento dos custos dos serviços bancários para os consumidores. “Os empréstimos bancários e as linhas de financiamento para imóveis, carros, tendem a ficar mais caras, tanto para pessoa física quanto para jurídica. Isso é feito para que eles consigam recuperar os valores do fundo. No fundo, os bancos vão tentar passar o custo adicional que eles vão ter para os consumidores finais”, explica.
Ele explica ainda que, não é possível ter uma previsão de quanto deve ser o aumento desses serviços para o consumidor, porque essa estratégia será traçada por cada instituição financeira. “A única certeza que a gente tem é de que vão ficar mais caras as linhas de crédito”, aponta.
Esse aumento deve acontecer porque o FGC anunciou um plano emergencial para recompor o caixa após o impacto financeiro provocado pelo Caso Master. A medida prevê o adiantamento imediato do equivalente a cinco anos de contribuição pelos bancos. Além de uma contribuição extraordinária de 50% desse valor, o equivalente a cerca de R$ 500 milhões por ano.
O FGC, que tem como objetivo proteger o investidor em caso de falências das instituições associadas. O fundo garante até R$ 250 mil para cada cliente elegível com depósitos ou investimentos.
Recomposição
Dados recentes apontam que o fundo tinha cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio, dos quais cerca de R$ 125 bilhões estariam disponíveis para uso imediato.
No entanto, os R$ 4,9 bilhões do reembolso aos clientes do Banco Pleno se somarão aos R$ 40,6 bilhões de investidores do Master e aos R$ 6,3 bilhões dos clientes do Will Bank, chegando a um total de R$ 51,8 bilhões para serem assumidos pelo FGC.
De acordo com Alencar, entre os bancos que devem ser mais afetados estão o Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil. O economista explica que “75% dos depósitos compulsórios do FGC estão concentrados nesses cinco bancos”.
Recentemente, o Banco do Brasil anunciou que terá que aportar cerca de R$ 5 bilhões para recapitalizar o FGC.
