"Bateu na árvore,
perdeu sustentação, caiu e incendiou. Todos morreram na hora", disse a
delegada Ana Cláudia Medina em entrevista ao programa Fantástico, da TV
Globo.
Galhos encontrados na fuselagem do avião e imagens da própria equipe ajudaram a polícia a reconstruir a dinâmica do acidente.
Ainda de acordo com a
reportagem publicada neste domingo, 28, o avião Cessna 175 tentou pousar
fora do horário permitido para a pista. "Já era uma operação irregular,
porque só poderia operar até 17h39", disse a delegada.
Testes de visibilidade foram feitos pela polícia para avaliar as
condições exatas do voo. Segundo as investigações, o piloto tentou, às
18h03, sem visibilidade, fazer a primeira tentativa de pouso desalinhado
e precisou arremeter.
Na segunda tentativa, a aeronave colidiu com uma árvore de cerca de 20 metros a aproximadamente 300 metros da cabeceira.
Conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave estava
habilitada para voo diurno, não estando equipada para voar à noite ou em
condições de mau tempo. Nesse tipo de operação, o piloto precisa manter
contato visual com o solo e usar o horizonte para se orientar no
trajeto.
Ainda segundo a Anac, a
aeronave tinha registro para serviços aéreos privados, mas não tinha
autorização para operar como táxi aéreo.
Mesmo com as investigações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o
Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos),
órgão da Força Aérea Brasileira, segue apurando o caso.
Avião foi fabricado em 1958
Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião foi fabricado
em 1958 e adquirido em 2015 pelo atual proprietário, o piloto Marcelo
Pereira de Barros, que morreu no acidente.
A aeronave tinha capacidade para um tripulante e três passageiros
Em 2019, a aeronave foi apreendida por causa do transporte irregular de turistas e ficou sem operar até 2024.
O advogado Djalma Silveira, que defende o piloto Marcelo Pereira de
Barros no processo judicial que resultou na apreensão da aeronave, disse
que ele nunca usou o avião como táxi aéreo.
"Quem conhece o Pantanal
sabe a distância e o isolamento das fazendas em épocas de cheia. Os
pilotos em geral usam seus aviões para prestar socorro a pessoas
ilhadas, vítimas de ataques de animais peçonhentos e outras emergências.
Eventualmente os fazendeiros pagam os custos de combustível, mas não é
uma situação recorrente."
Segundo o defensor, Barros estava abrindo a empresa Aero Safari para
voos turísticos e tinha mandado imprimir alguns cartões que foram
apreendidos pela polícia.
"Isso foi usado para abrir o processo
contra ele por suposta atuação como táxi aéreo, o que na verdade não
ocorreu. Após a apreensão, verificou-se que ele usava uma bateria de
automóvel para alimentar um sistema do avião, o que foi corrigido
depois."
Silveira diz que recorreu à Justiça e conseguiu a liberação do avião em
2022. "Como a aeronave tinha ficado mais de dois anos ao relento, foi
preciso fazer uma reforma acompanhada pela Anac, e ele só pôde voltar a
voar em 2024.
Agora, com o falecimento dele, a ação que tramita na Justiça será extinta", diz.
