A Primeira Turma do STF condenou Carla Zambelli à pena de 10 anos de prisão em regime fechado, além de multa de cerca de R$2 milhões por danos morais coletivos e perda do mandato. A acusação é que ela foi a mentora intelectual da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o auxílio do hacker Walter Delgatti Neto.
O objetivo da invasão, que foi realizada em janeiro de 2023, era
inserir um mandado de prisão falso em nome do ministro Alexandre de
Moraes e manipular os bancos de dados do Judiciário. Delgatti foi
sentenciado a oito anos e três meses de prisão, também em regime
fechado.
A deputada deixou o Brasil em 25 de maio pela fronteira do país com a
Argentina em Foz do Iguaçu (PR), após a condenação. De Buenos Aires, a
parlamentar embarcou para os Estados Unidos, de onde anunciou a fuga no
dia 3 de junho. Em solo americano, antecipou que viajaria para a Itália
por acumular a cidadania do país europeu.
Inicialmente, a justificativa de Zambelli para deixar o país foi de que ela teria ido para a Europa para um tratamento de saúde. Posteriormente, em entrevista à CNN Brasil, a parlamentar afirmou que foi para a Itália por ter cidadania italiana e que lá ela seria “intocável” e que Moraes não poderia extraditá-la. No dia seguinte, Moraes determinou a prisão preventiva da deputada.
Em sua decisão, Moraes afirmou que houve uma "inequívoca" intenção "de se furtar à aplicação da lei penal". "No caso de Carla Zambelli Salgado de Oliveira é inequívoca a natureza da alegada viagem à Europa, com o objetivo de se furtar à aplicação da lei penal, em razão da proximidade do julgamento dos embargos de declaração opostos contra o acórdão condenatório proferido nestes autos e a iminente decretação da perda do mandato parlamentar", escreveu o ministro na decisão.