A quarta edição do espetáculo ao ar livre “O Boi Voador” chamou a atenção do público, na noite deste domingo (17), no Marco Zero do Recife, centro da cidade. Ele integrou a agenda de comemorações do aniversário da capital pernambucana, que completou 487 anos, na última terça-feira (12).
Pessoas que compareceram ao ponto histórico do Bairro do Recife puderam assistir ao show que tem texto e direção do dramaturgo Ruy Aguiar. Todos ficaram impressionados com a riqueza de detalhes das cenas.
O empresário Paulo Fernando Távora, de 68 anos, estava passeando de bicicleta pelo entorno do Marco Zero quando viu a estrutura montada e soube do que ali aconteceria. Logo, ele fiou curioso para saber da história e aproveitou para conferir de perto se o boi, de fato, voaria.
"É um espetáculo que retrata a história do Recife e do Conde Maurício de Nassau. Eu tive curiosidade e, passando, vi tudo isso aqui, que é muito grande, por sinal, e parei para ver. Espero que seja um espetáculo interessante como o nome sugere", disse ele, minutos antes da encenação.
Imersão na história recifense
Com imagens projetadas em prédios históricos do Marco Zero, e cerca de
90 atores, a peça propõe uma viagem ao século XVII, quando o Conde João Maurício de Nassau, personagem central da história, chegou para governar a Nova Holanda, como era chamado o Brasil em 1637. Ele veio com a intenção de construir aqui, onde hoje é o Recife, a ‘Cidade Maurícia’.
Foi aí que surgiu a construção da Ponte do Recife (hoje, Ponte Maurício de Nassau), em 1640. Pela demora de entrega da obra, começaram a surgir teorias conspiratórias e, no meio de tanta dúvida, quatro anos depois, Nassau finalmente escolheu a data de entrega do equipamento, mas prometeu fazer um boi voar.
Na cerimônia inaugural, em 28 de fevereiro de 1644, ele pronvidenciou o animal que pertencia ao amigo, o Melchior, proprietário do Boi Manso. Era aquele o que voaria. Contudo, ele utilizou-se de couro de boi, moldou-o em um balão inflável, amarrando-o em cordas finas sobre roldanas e fez o 'animal' voar, surpreendendo a todos. Foi assim que o espetáculo se encerrou, por volta das 19h40,
"De certa forma, esse espetáculo é abrangente na história e cultura do Recife, demonstrando a visão para muitos que não conhecem. Vimos artistas fantasiados, se entregando ao personagem. Isso é bom para a gente assimilar. Acredito que é importante adquirirmos conhecimento de séculos passados, hoje, sob um novo ponto de vista", comentou o almoxarife Ruanderson Odon, de 23 anos, que saiu de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, para assistir ao espetáculo.
Quando o 'boi voou', um show pirotécnico de, aproximadamente, seis minutos, parabenizou ao Recife pela idade nova e o público, impressionado, aplaudiu.