Isolado politicamente, o pedido de impeachment do ex-presidente alcançou 101 votos a favor, 6 contra e 10 abstenções. Os votos à favor foram bastante aplaudidos pelos parlamentares no plenário.
A previsão é que Boluarte seja diplomada presidente ainda nesta quarta-feira. Mais cedo, a vice-presidente repudiou a ação de Castillho e a caracterizou como "um golpe de Estado".
"Repudio a decisão de Pedro Castillo de praticar a quebra da ordem constitucional com o fechamento do Congresso. Trata-se de um golpe de Estado, que agrava a crise política e institucional que a sociedade peruana terá que superar com apego estrito à lei", escreveu Boluarte no Twitter.
Entenda o caso
A votação do impeachment --a terceira em 16 meses-- já estava marcada, mas Castillo tentou impedi-la a partir da dissolução do Congresso, que não teve apoio nem mesmo dos aliados.
Poucas horas após a edição do decreto, ministros e aliados de Castillo renunciaram em protesto e condenaram a medida, em um sinal da fraqueza política do presidente. O ministro da Justiça Félix Chero deixou o cargo para "respeitar a ordem democrática". Até o advogado que defende Castillo, Benji Espizona, deixou o posto.
A última cartada do presidente peruano também foi amplamente criticada pelo MP, Judiciário, Legislativo e pelas Forças Armadas.
A Suprema Corte reagiu com veemência ao decreto e pediu que as Forças Armadas e a população "defendam a ordem democrática" no país. A procuradora-geral do Peru, Patricia Benavides, rechaçou de maneira enfática qualquer ruptura da ordem constitucional que possa ocorrer no país.
Em nota, as Forças Armadas peruanas e a Polícia Nacional disseram que se manterão fiéis à Constituição e não acatarão nenhuma ordem contrárias à Carta Magna do país. (*Com informações do Estadão.)
