Deputado que denunciou compra de viagra e uísque nas Forças Armadas vai trabalhar com Dino

Deputado que denunciou compra de viagra e uísque nas Forças Armadas vai trabalhar com Dino

 

O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou hoje que convidou o seu colega de partido, o deputado Elias Vaz (PSB-GO), para assumir a posição de secretário Nacional de Assuntos Legislativos na pasta.

Elias Vaz ficou marcado nos últimos anos por uma série de levantamentos que fez a respeito de gastos realizados pelas Forças Armadas e pelo presidente Jair Bolsonaro, informações que, em muitos casos, se transformaram em denúncias e que, hoje, são investigados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A lista de denúncias levantadas pelo parlamentar inclui casos polêmicos, como a revelação da compra de 35 mil comprimidos de Viagra para as Forças Armadas, com suspeitas de superfaturamento nos contratos de até 143%. A área técnica do TCU recomendou medidas para a devolução do dinheiro.

Outro caso notório envolve a compra de próteses penianas. O parlamentar denunciou a autorização do Ministério da Defesa para a compra de 60 próteses para unidades ligadas ao Exército. O custo das próteses infláveis de silicone, de até 25 centímetros, é de quase R$3,5 milhões, com valores unitários entre R$50 mil a R$60 mil, enquanto os modelos fornecidos pelo SUS custam cerca de R$2 mil.

Elias Vaz também mobilizou sua equipe parlamentar para analisar os gastos com cartão corporativo do Bolsonaro em período eleitoral e identificou um aumento de 108% em gastos com o cartão. As faturas de agosto, setembro e outubro somaram R$9.188.642,20, média de R$3.062.880,73 por mês. Para se ter uma ideia do impacto dos gastos, o valor supera em 108% a média mensal do ano passado, que foi de R$1.574.509,64.

Foram levantadas, ainda, informações sobre as férias de Bolsonaro em São Francisco do Sul (SC) e no Guarujá (SP), entre 18 de dezembro de 2020 e 5 de janeiro deste de 2021. Custaram aos cofres públicos R$2,452 milhões. O Carnaval do presidente em Santa Cruz do Sul, no litoral de Santa Catarina, consumiu mais R$1,790 milhão, somando hospedagem, alimentação e passagens aéreas da equipe.

No ano passado, o parlamentar revelou a compra para as Forças Armadas de 714 mil quilos de picanha e 80 mil cervejas, inclusive com exigência de que fossem de marcas como Heineken e Stella Artois. O apetite militar exigiu ainda mais de 150 mil quilos de bacalhau; 438,8 mil quilos de salmão; 1,2 milhão de quilos de filé mignon, além de uísque 12 anos e conhaque. O levantamento resultou em um acionamento do Ministério Público Federal, que abriu mais de 20 processos em todo o País para apurar as compras.

Neste ano, outra apuração mostrou que Bolsonaro gastou mais de R$ 2,5 milhões com alimentação dentro do avião presidencial desde o início do mandato, incluindo refeições, bebidas, lanches, petiscos, frutas e doces. Há um pedido de auditoria do Tribunal de Contas da União sobre esses gastos.

Ao Estadão, Elias Vaz disse que recebeu o convite diretamente por Flávio Dino. "Fiquei muito honrado. Tenho uma profunda admiração por Dino, que é hoje um dos maiores quadros políticos do País", comentou. Perguntado sobre quais serão suas prioridades na pasta, Vaz disse que atuar como uma ponto entre a Pasta da Justiça e o Legislativo. "Meu principal foco será contribuir na estratégia geral do ministério, principalmente na relação política da pasta com o Congresso Nacional", comentou.

 

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem