Quem era Vitor Pataxó, o jovem indígena assassinado ao reclamar de festa clandestina

A primeira impressão que as pessoas costumavam ter de Vitor Braz, conhecido como Vitor Pataxó, era a de um rapaz tímido. No entanto, o sorriso aberto com que lidava com todo mundo logo desfazia essa sensação. "O cartão postal dele era o sorriso”, diz a liderança indígena Thyara Pataxó. 

O indígena foi assassinado a tiros na madrugada da última segunda-feira (14) após reclamar do barulho causado por uma festa clandestina na praia da Ponta Grande, em Porto Seguro (BA), na Bahia, região que da aldeia Novos Guerreiros, do povo Pataxó. Ele tinha 22 anos e um filho de um mês e meio.

Vitor, que estava construindo uma casa para morar com a esposa e o bebê, tinha bom-humor. “Ele fazia graça de tudo, sempre foi muito carismático e era uma figura bastante conhecida", conta Thyara.

O jovem participava de congressos, encontros e mobilizações indígenas, como o ATL (Acampamento Terra Livre), que leva milhares de indígenas, dos diversos povos, todos os anos até Brasília para protestar por direitos. "A gente costumava falar assim: bateu o maracá, Vitor está presente", conta Thyara. 

"Estamos indignados, Vitor era um jovem trabalhador, carismático, da luta"
Foto: Reprodução
 

Ontem (15), amigos e familiares de Vitor fizeram uma caminhada em manifestação pela morte trágica do rapaz e bloquearam a BR-367, entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Porto Seguro, nacionalmente conhecida pelo turismo, muitas vezes desconsidera as tradições e a cultura local. A aldeia Novos Guerreiros fica à beira-mar e frequentemente seu povo tem de lidar com turistas ouvindo som alto, de carro na areia. Segundo Thyara, a polícia local, embora informada dos abusos, não tem tomado nenhuma atitude em relação às queixas.

As últimas palavras do Vitor no grupo de WhatsApp da comunidade, quando todos reclamavam do som alto da festa, foram “aqui é uma comunidade, aqui não é bagunça!”. Para Thyara, essa afirmação concentra o legado do amigo. “[Essas palavras] serviram para a gente prestar mais atenção em situações que estão acontecendo e que muitas vezes deixamos passar por medo. Essa fala potencializou muito a força juventude indígena, pois é uma fala de resistência e força".

 

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