Associação de médicos critica ministro Queiroga e pede mudanças

 

A Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou uma nota nesta segunda-feira (24) criticando a conduta do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no enfrentamento à pandemia de Covid-19 no Brasil. O médico assumiu a pasta em março do ano passado e soma, portanto, nove meses como ministro.

Na avaliação do Comitê Extraordinário de Monitoramento da Covid-19 da entidade, o ministro da Saúde age à margem das normas de conduta e preceitos éticos esperados para o cargo. O documento pede mudanças na gestão da saúde no País.

"Vivemos dias de gravidade ímpar no sistema de saúde do Brasil, enquanto o ministro da Saúde desperdiça tempo, endossa tratamentos ineficazes e protela a vacinação. O Brasil está em alerta e pede mudanças na gestão da saúde".

Para justificar as afirmações, a entidade faz uma lista de atos do ministro que são classificados como "erros de conduta" e "deslizes éticos". De acordo com a entidade, o ministro colocou-se contra o uso obrigatório de máscaras, em agosto de 2021; um mês depois, o Ministério da Saúde recomendou a paralisação da imunização de jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades. Na ocasião, o ministro classificou a vacinação de adolescentes como "intempestiva" e admitiu que a revisão da medida atendia a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

A lista da AMB também inclui a defesa, por parte de Queiroga, do uso de medicamentos ineficazes contra a Covid-19, o chamado "kit covid", e o adiamento do início da vacinação de crianças de 5 a 11 anos.

"Em sua cruzada contra vacinas, o ministro defendeu e realizou uma desnecessária e contraproducente consulta pública sobre imunização de crianças de 5 a 11 anos, visando atrasar o processo de vacinação", diz trecho do documento.

O ato mais recente citado pelo manifesto foi a nota técnica do Ministério da Saúde que sustenta que a hidroxicloroquina é eficaz e segura e, por outro lado, classifica as vacinas contra Covid-19 como medidas sem comprovação de efetividade e não-seguras. Essa postura contraria as evidências científicas, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

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