Lágrimas, gratidão a Kuki e novo ciclo no Náutico: Jorge Henrique é apresentado

O retorno oficial de Jorge Henrique aos Aflitos foi marcado pela emoção. Apresentado oficialmente nesta terça-feira, o experiente atacante de 36 anos demonstrou toda a felicidade em estar de volta à equipe onde foi revelado ao futebol. Apresentado pelo ex-companheiro de campo Kuki, com o qual formou o ataque campeão pernambucano em 2004, o reforço alvirrubro se mostrou muito agradecido por dividir este momento com o seu “irmão de vida”.

“Vou sempre ser grato ao Kuki pela oportunidade que ele me deu dentro de campo e fora de campo, pois o considero como meu irmão. Me ajudou muito e tudo o que eu conquistei na vida, eu devo a ele. Sempre me ajudou, sempre estava ali me incentivando, mesmo quando eu morava embaixo da arquibancada. Eu devo muito mais a ele do que ao meu futebol. Futebol faz parte, é muito de força de vontade, mas precisa-se muito de caras como ele, que ajudam e acolhem garotos como eu fui. O mundo do futebol é muito sujo e a coisa que ele mais me ensinou foi a dar valor para as amizades que construímos”, contou emocionado, sem segurar à lágrimas.
O retorno de Jorge Henrique acontece 18 anos depois de sua primeira chegada aos Aflitos, em 2001. Vindo de Resende, no Rio de Janeiro, Jorge Henrique permaneceu até 2004 no Náutico, até sair para o Athletico Paranaense. O jogador contou um pouco sobre a falta de estrutura no clube à época, onde chegou a morar embaixo das arquibancadas e disse que se fosse na atual situação, sua saída teria sido diferente.
“A gestão do Náutico na época não era profissional. Se hoje estivesse no Náutico com a idade que tinha em 2004, eu não iria embora. O que eles (Diógenes Braga, vice-presidente e Edno Melo, presidente) fizeram com o clube, especialmente para a base, é fantástico. Eu morei embaixo de arquibancada, dormindo com goteira, acordando às 4 ou 5 horas da manhã. Os meninos agora têm um alojamento, um local para ficar. Eu, felizmente, venci na vida, mas quantos amigos não ficaram para trás? Tenho certeza que muitos venceriam se tivessem uma estrutura como a atual à disposição”, refletiu o atleta.
Perguntado qual seria seu papel fora de campo, Jorge Henrique não se esquivou do rótulo de ser exemplo para os mais novos. Além disso, lembrou de grandes jogadores que o inspiraram ao longo da carreira. “Eu procuro dar sempre o exemplo. Chego cedo nos treinamentos, pois tive grandes exemplos como o Ronaldo, no Corinthians, que era sempre um dos primeiros a chegar, então, é neste tipo de detalhe, de coisas pequenas que se faz a diferença”, colocou o jogador.

Identificação com o Náutico 

Jorge Henrique ainda lembrou que recebeu propostas de outros clubes da Série B, mas preferiu voltar ao Náutico, mesmo na Série C, pela identificação com o clube pernambucano. “O Náutico foi o clube que me deu a primeira oportunidade e isso, certamente, pesa bastante, pois quando eu cheguei aqui, vindo de Resende, com apenas 19 anos, foram eles que me abraçaram. Tive propostas de clubes que subiram da Série B para a Série A, mas eu preferi retornar”, completou.
Com o peso de ter sido campeão mundial e da Libertadores da América, Jorge Henrique coloca que o principal objetivo do seu retorno é reestabelecer o Náutico na Série B do Campeonato Brasileiro, mas, que para isso, é necessário muito trabalho e vontade para jogar todas as competições visando a vitória.
“Nós temos quatro competições no ano, mas sem dúvida, para mim o mais importante é voltar a Série B. Vamos defender o título do Pernambucano, temos a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil, temos que entrar em todas pensando na vitória, mas o principal foco é o retorno para a Segunda Divisão”, ressaltou o experiente atacante.
Apesar de já estar com 36 anos, o atacante ainda não pensa em aposentadoria. Contratado para a temporada de 2019, Jorge Henrique coloca que vai pensar uma temporada de cada vez. “A gente tem que pensar ano a ano. Vou trabalhar e focar nessas quatro competições que temos em 2019 e no final do ano e sentamos para ver como será. Se for para ficar mais um ano e encerrar a carreira aqui, eu vou ficar muito feliz de coração. Mas se ao final do contrato percebermos que não dá mais, eu vou embora, mas com o mesmo carinho e com a mesma torcida”, finalizou.
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