Jussara e Danilo, mãe e filho acusados de matar médico, vão a júri popular

Mãe e filho acusados de matar o médico cardiologista Denirson Paes Silva, com 54 anos na época em que foi assassinado, em junho do ano passado, serão levados a júri popular. A juíza Marília Falcone, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Camaragibe, entendeu durante as audiências de instrução, no último mês de dezembro, que os indícios de autoria são suficientes para que Jussara Rodrigues da Silva Paes, 54 anos, e Danilo Paes, 23 anos, sejam submetidos a júri popular. Na sentença de pronúncia, a magistrada também manteve a prisão preventiva de Jussara e a liberdade de Danilo, cujo endereço está sob sigilo.

Com a pronúncia, a Justiça abre agora prazo para que a defesa e a acusação do caso entrem com recurso dentro de um prazo de 15 dias. Caso não haja recursos de ambas as partes, é possível que o julgamento aconteça ainda neste semestre. “Essa decisão já era esperada por nós e pela sociedade. Até porque houve comprovação suficiente do crime para que a juíza encaminhasse para o tribunal do júri e a sociedade que julgue, porque houve dolo, ou seja, intenção de matar. Nas minhas alegações finais, também pedi o concurso de pessoas, porque os dois réus concorreram para o mesmo crime, o que agrava o homicídio. Mas a magistrada não acatou meu pedido referente à fraude processual, que é quando o autor do crime, no caso Jussara, faz modificações na cena do crime, para induzir o juiz a erro. Porque não foi apenas a ocultação do cadáver, mas ela usou cloro e outros recursos para induzir os peritos e o juiz a erro”, explicou o assistente de acusação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o advogado Carlos André Dantas.

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A reportagem tentou entrar em contato com Rafael Nunes, advogado de defesa de Jussara Paes e Danilo Paes, mas não obteve resposta.

ENTENDA – No dia 04 de julho do ano passado, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico Denirson Paes dentro do poço de sua casa, localizada no condomínio de luxo Torquato Castro, em Aldeia. O médico estava desaparecido desde o dia 30 de maio de 2018. No dia 20 de junho, a esposa de Denirson, a farmacêutico Jussara Paes registrou, 20 dias depois do suposto desaparecimento do marido, Boletim de Ocorrência informando que o marido havia viajado para o exterior e não havia voltado. Desde então, a Polícia Civil começou a investigar o caso através de um mandado de busca e apreensão na residência da vítima. No dia 5 de julho, foram cumpridos os mandados de prisão temporária. Em agosto, o Instituto Médico Legal (IML) constatou que o médico foi morto por esganadura e as investigações apontaram como motivação para o crime uma relação extraconjugal mantida por Denirson.
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